FGV Ceri: Transporte público e covid-19 – O que pode ser feito?

FGV Ceri: Transporte público e covid-19 – O que pode ser feito?

Na ausência de uma vacina viável e de aplicação de massa, as medidas de restrição social ainda são as ações mais eficazes para conter ou diminuir a propagação da covid-19. Entretanto, para que muitos possam cumprir as medidas de isolamento e permanecerem em suas casas, muitos outros precisam continuar trabalhando. O transporte coletivo é responsável por 50% das viagens motorizadas no Brasil.

busão cheio 1Limitações que a pandemia impôs a um setor essencial para manter as cidades em movimento, precauções específicas do segmento, exemplos do que está sendo feito em diferentes países compõem o estudo Transporte público e covid-19: o que pode ser feito?, produzido pelo Centro de Estudos em Regulação e Infraestrutura da Fundação Getulio Vargas (FGV Ceri) e recomendado pelo FGV EESP Clear no repositório do Monitor de Evidências Covid-19clique aqui para acessar o material.

Não só um serviço essencial para trabalhadores essenciais, o transporte público também deve lidar com passageiros que se deslocam até hospitais e centros de saúde. Em meio a este cenário complexo, poder público, gestores e tomadores de decisão não podem ficar alheios a avanços e possibilidades relacionados à mobilidade urbana e ao transporte coletivo. A interrupção do serviço não é uma opção.

“O transporte público está entre os setores mais afetados pela crise. Empresas de transporte coletivo de ônibus estão operando com uma redução média de mais de 75% dos passageiros desde o início das medidas de isolamento social”, aponta o estudo do FGV Ceri.

Por se tratar de um serviço essencial, para trabalhadores e trabalhadoras essenciais e para muitos que buscam auxílio médico, faz-se necessária a intervenção do poder público, pois os custo da pandemia para as empresas de transporte “não pode ser transferido para tarifa e arcado pela sociedade, uma vez que são os segmentos mais vulneráveis da população os maiores dependentes do serviço de transporte público”.

Os autores da pesquisa reconhecem, entretanto, que a solução não é simples e o custo é alto, mas é preciso encarar o desafio de garantir a manutenção dos serviços em curto prazo e recompor o equilíbrio dos contratos no médio e longo prazos, pensando também em outras formas de custeio da operação. O fator geração de trabalho também deve ser levado em conta. O FGV Ceri constata no documento que o setor de transporte público por ônibus gera 500 mil empregos diretos em 3 mil municípios brasileiros, movimentando R$ 45 bilhões por ano.

Comunicação de crise

Em um contexto de pandemia, “é crucial que as organizações de transporte forneçam mensagens claras e consistentes a todas as partes interessadas, isto é, usuários, funcionários e demais instituições, a fim de antecipar e mitigar confusão, medo e disseminação de notícias falsas em torno da doença”, sugere o material, tranzendo uma tabela com recomendações para as comunicações dos operadores de serviços de transporte, com sugestões como: atualizar notícias sobre o combate do vírus nas plataformas de comunicação da organização de transporte, como site da empresa, Twitter, Facebook e Instagram; desenvolver uma seção de “perguntas e respostas” fornecendo informações básicas para funcionários sobre o surto, seu impacto nos sistemas de transporte público e medidas a serem tomadas; seguir as comunicações das autoridades responsáveis para se manter informado sobre as recomendações mais recentes da sua região.

 

Experiência internacional

Para identificar ações que podem ser efetivas localmente, o estudo do FGV Ceri se inspira nas medidas de prevenção e combate à covid-19 colocadas em prática por outros países que atingiram o pico do surto da doença antes do Brasil.

Uma das medidas mais populares de prevenção é a proibição das vendas de passagem em dinheiro dentro dos veículos, com compras apenas por meio de aplicativos e nas estações e paradas do transporte público. Essa prática foi adotada em cidades como Berlim, Barcelona, Auckland e Jacarta para evitar o contato próximo entre passageiros e funcionários.

Em Berlim e Barcelona o embarque de passageiros passou a ser feito apenas pelas portas traseiras. Na Suíça foram instaladas barreiras temporárias com fitas adesivas para evitar o contato entre passageiros e operadores de transportes.

Outra medida bastante adotada é a intensificação da higienização. Em Shenzhen, na China, todos os motoristas de ônibus e táxi, funcionários a bordo do veículo e fiscais devem usar obrigatoriamente máscaras e ter sua temperatura medida antes de iniciar as tarefas diárias. A sanitização dos veículos é conduzida após cada viagem, especialmente assentos, braços dos assentos, barras, alças de apoio e objetos que ficam em contato com os passageiros.

Há ainda, ações de prevenção e combate realizadas nas estações. Na Coréia do Sul desinfetantes de mão, como álcool em gel, são disponibilizados nos terminais. Já em Pequim, para evitar aglomerações, está sendo utilizado agendamento eletrônico para acessar as estações de metrô. Os passageiros utilizam um aplicativo para agendarem um horário para entrarem em duas das mais movimentadas estações de metrô no horário de pico. Um QR code válido por uma janela de meia hora é enviado ao usuário.

Muitas cidades e países adotam a promoção de outros meios de transporte. Bogotá, capital da Colômbia, implantou 76 quilômetros de ciclofaixas temporárias na cidade na tentativa de reduzir a lotação do transporte público e ajudar na prevenção da disseminação da covid-19.  Iniciativas empresariais também entram nessa lista. A empresa Muvo, operadora de micromobilidade, disponibilizou por um mês a sua frota de 400 bicicletas elétricas a profissionais da saúde.

O estudo do FGV Ceri se encerra com a publicação de uma abrangente tabela na qual são elencadas ações que podem ser adotas pelos principais stakeholders (usuários, operadores e poder público) do setor de transporte para manter a operação dos serviços e prevenir e combater o novo coronavírus.

As ações de prevenção à propagação da doença são especialmente importantes após a flexibilização do isolamento social. “Neste período, o aumento do número de passageiros exigirá maiores esforços dos operadores para evitar a disseminação do vírus, provavelmente ainda não totalmente controlado”, conclui o estudo.

Visite a página do Monitor de Evidências Covid-19 e confira na íntegra este estudo do FGV Ceri e outras dezenas de conteúdos qualificados sobre políticas públicas baseadas em evidências no contexto da atual pandemia. O FGV EESP Clear assina a curadoria desse projeto.

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