Prêmio Evidência promove discussão sobre pós-pandemia na saúde, educação e assistência social

Prêmio Evidência promove discussão sobre pós-pandemia na saúde, educação e assistência social

O painel “Efeitos da COVID-19: o pós-pandemia na saúde, educação e assistência social” reuniu, no último dia 17 de junho, Arminio Fraga, ex-presidente do Banco Central (BC), Maria Helena Guimarães, presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), Rudi Rocha, professor da FGV Eaesp e diretor do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS), e Wanda Engel, ex-ministra da Assistência Social. O evento, promovido pelas organizações que conduzem o Prêmio Evidência & Troféu Imds em parceria com a Folha de S. Paulo, discutiu os caminhos da retomada após mais de um ano de crise.

O evento ocorreu no contexto de uma série de discussões sobre políticas públicas que usam evidências ao longo de todo o seu ciclo, modo de gestão que é o objeto do Prêmio Evidência & Troféu Imds, iniciativa conjunta do Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (Imds), FGV EESP Clear e Escola Nacional de Administração Pública (Enap).

Paulo Tafner, Diretor-Presidente do Imds, abriu o evento ressaltando a parceria com a Enap e o FGV EESP Clear e o apoio da Folha de S. Paulo na organização do painel e celebrou a presença de nomes de “reconhecida competência e reputação” para pensar os rumos do Brasil na recuperação pós-pandemia e os desafios que virão, especialmente para o desenvolvimento e a mobilidade social. “O caminho é difícil, os desafios são grandes, mas há muita gente no Brasil e fora daqui preocupada em propor ideias, sugestões, compartilhar experiências e sobretudo unir esforços para pensarmos opções e alternativas que melhorem o nosso país”. E finalizou lembrando da importância do uso de evidências em todo o ciclo das políticas públicas, convidando gestores e gestoras públicas a se inscreverem no Prêmio Evidência e abraçarem essa agenda.

Em sua fala inicial, o moderador Fernando Canzian, repórter especial da Folha, destacou da premiação. “O Brasil é muito carente desse tipo de incentivo para que iniciativas com empirismo sejam adotadas e o setor público se torne mais eficiente com os recursos cada vez mais difíceis e reduzidos que tem”.

Participantes do webinário promovido pelo Prêmio Evidência em parceria com a Folha de S. Paulo.

Na fala sobre educação, Maria Helena apontou que “o maior problema para pensar a agenda pós-pandemia é a falta de evidências e dados do ano de 2020”. Ela indicou os caminhos para superar esse obstáculo: “Uma agenda pós-pandemia, em primeiro lugar, deve considerar como prioridade total uma avaliação diagnóstica de todos os alunos; um programa de recuperação intensivo de aprendizagem, para recuperar as habilidades mais essenciais e garantir o aprendizado futuro e a aceleração da aprendizagem. Junto com isso [deve vir] formação dos professores, com ênfase na educação mediada por tecnologias. E coordenação de políticas nacionais”.

Falando sobre saúde, Rudi Rocha trouxe um ponto similar “será preciso um esforço em tempo contínuo de mapear o que está acontecendo e antecipar o que vem pela frente”. Segundo ele, “o efeito [da pandemia] sobre a saúde das pessoas pode vir por outros mecanismos, por queda de renda e emprego, por menos educação, por finanças municipais complicadas”. O professor alertou que “os mais pobres vão sofrer mais, estão sofrendo mais, não tem dúvida que haverá recrudescimento da desigualdade por diversos canais. O prognóstico é preocupante”, projetou Rocha, buscando apontar soluções: “A gente precisa fortalecer o sistema e políticas de saúde e para saúde, além de priorizar a proteção social”. Ele reforçou que a maneira para fazer isso precisará “de pesquisa e ouvir a gestão”.

Rudi Rocha, professor da FGV EAESP, focou sua apresentação no cenário das políticas públicas para a saúde no Brasil.

Numa fala que recuperou o histórico do sistema de assistência social no Brasil desde a redemocratização, Wanda Engel refletiu sobre a necessidade da figura de um “promotor social de famílias, que poderia funcionar nos Cras [Centros de Referência de Assistência Social] para romper a armadilha da pobreza”. Para Wanda, “a família tem potencial necessário para superação da pobreza. Pobreza não é uma característica natural, ela é produzida e reproduzida; e as famílias querem e podem superar a situação de pobreza desde que tenham as condições financeiras mínimas, através de transferências, recebam informações importantes, tenham acesso a serviços, tenham prioridades em programas intersetoriais e recebam incentivos necessários para sair dessa situação.” Ela reforçou ainda sua preocupação com os jovens, tidos como “os grandes, talvez os maiores, afetados pela pandemia e pelas consequências econômicas”. Wanda enfatizou a relevância de “integrar, focalizar e implantar uma gestão para resultados”, de modo a garantir que políticas resolvam os problemas diagnosticados.

Em sua apresentação no webinar, Wanda Engel listou propostas para a retomada pós-pandemia.

O evento foi encerrado pelo economista Arminio Fraga, que traçou um cenário desafiador: “Nós vamos ter que carregar consequências e cicatrizes desse período por muito tempo. E se não formos extremamente competentes nas três áreas [educação, saúde e assistência social], isso vai ser um problema para muitos anos”. Fraga defendeu uma discussão ampla da sociedade sobre o que é realmente mais importante para o país: “Além de todas as carências e desafios que nós temos que enfrentar, uma situação macroeconômica bem complicada e que espelha uma dificuldade enorme de nós enquanto sociedade, [por isso precisamos] definirmos as nossas prioridades.”

Arminio Fraga, ex-presidente do Banco Central, encerrou o webinar.

Mais uma vez o Prêmio Evidência & Troféu Imds reuniu especialistas renomados para refletir sobre os caminhos para o Brasil, sempre focando numa política pública baseada em evidências. As inscrições estão abertas até 31 de outubro.

Saiba mais: https://eventos.fgv.br/premioevidencia

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