Pesquisa do FGV EESP Clear mensura impactos da pandemia sobre a educação brasileira

Pesquisa do FGV EESP Clear mensura impactos da pandemia sobre a educação brasileira

A pandemia de Covid-19 fez com que, em poucos meses, países de todo o mundo decretassem regimes de isolamento social para evitar a propagação do vírus e frear a contaminação e as mortes. A educação foi um dos setores afetados em escala global. Milhões de estudantes tiveram de abandonar as salas de aula e ficar em casa, muitos sem acesso adequado a tecnologias e materiais para acompanhar as aulas e conteúdos ministrados. Este contexto motivou o FGV EESP Clear e a Fundação Lemann a realizarem uma pesquisa para medir o nível de aprendizado de estudantes no Brasil na pandemia.

Nossa equipe realizou uma simulação sobre o aprendizado de estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio no contexto da pandemia, com as atividades escolares realizadas à distância. O estudo aponta que a educação brasileira pode retroceder até quatro anos devido à pandemia.

Escola em Barueri (SP) esvaziada durante a pandemia de Covid-19. Fonte: Prefeitura de Barueri.

A simulação traz três cenários, um mais pessimista, um intermediário e outro mais otimista. Nos três, a educação brasileira retrocederia em relação aos últimos resultados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), que tem provas realizadas a cada dois anos para medir o aprendizado dos estudantes. No cenário mais pessimista, em que os alunos não aprendem com o ensino remoto, há um retorno aos patamares de quatro anos atrás.

André Portela, diretor do FGV EESP Clear e professor titular de Políticas Públicas da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV EESP), reforça que o “resultado ocorre de maneira desigual no país, afetando mais fortemente os menos favorecidos. Assim, esforços para mitigar essa perda e garantir o acesso a um ensino remoto de qualidade a todos são urgentes, de modo a evitar a perda de aprendizado e o aumento das desigualdades educacionais”.

Um dos focos do estudo, como menciona Portela, é a análise sobre as desigualdades no aprendizado entre alunos de diferentes contextos. Elas influem diretamente no aprendizado, nos três cenários analisados. Para isso, foram levadas em conta características pessoais dos estudantes: sexo, raça/cor e escolaridade da mãe.

A pesquisa revela, assim, que os grupos populacionais mais prejudicados no contexto de pandemia são do sexo masculino, pardos, negros e indígenas e com mães que não finalizaram o Ensino Fundamental. Já os menos prejudicados são do sexo feminino, brancas e com mães com pelo menos o ensino médio completo. Além disso, estudantes das regiões Norte e Nordeste acabaram mais prejudicados.

A pesquisa foi baseada em estudo do Banco Mundial sobre estimativas de impacto de fechamento de escolas durante a pandemia. Saiba mais sobre a pesquisa no site da Fundação Lemann. Você também pode saber mais e baixar o Sumário Executivo da pesquisa aqui.

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