Enquanto parte da rede CLEAR global, o FGV/EESP Clear possui uma missão de geração de bens públicos. Assim, dedica-se, entre suas atividades, à produção de publicações sobre Monitoramento e Avaliações na língua portuguesa, cuja oferta é escassa. Desta forma, pretende contribuir para a sensibilização e construção de uma cultura de elaboração e aperfeiçoamento de políticas com base em resultados. As publicações dividem-se em dois grandes tipos:
  1. Instrumentos de M&A
  2. Lições aprendidas com os projetos desenvolvidos pelo FGV/EESP Clear

Últimas publicações

Technical Education, Non-cognitive Skills and Labor Market Outcomes: Experimental Evidence from Brazil

Este artigo descreve os resultados da avaliação de uma política pública que ofereceu bolsas de estudo para estudantes cursando ou que tenham concluído o ensino médio, para que eles pudessem participar de cursos técnicos sem custo. Utilizamos um randomized controlled trial com lista de espera em quatro municípios de um estado do Sul do Brasil (Santa Catarina) para quantificar os efeitos do programa na progressão escolar, mercado de trabalho e habilidades não-cognitivas. Nossas estimativas revelam uma substancial heterogeneidade de gênero dois anos após a conclusão do curso. Mulheres experimentaram maiores ganhos em resultados no mercado de trabalho e habilidades não-cognitivas. A empregabilidade aumentou em 21 pontos percentuais (ou aproximadamente 33%) e os ganhos em remunerações foram de mais de 50%. Além disso, mulheres que receberam a oferta pontuaram 0.5σ a mais no índice sintético de habilidades não-cognitivas e 0.69σ a mais no indicador de extroversão. Não encontramos efeitos na sub-amostra masculina. Estes achados corroboram a evidência de heterogeneidade de gênero nos efeitos de programas educacionais técnicos e vocacionais para o mercado de trabalho. Nós também realizamos uma série de exercícios para explorar potenciais canais através dos quais esses efeitos ocorrem. Acesse o link do Volume 10 do IZA Journal of Labor Economics: https://content.sciendo.com/configurable/contentpage/journals$002fizajole$002f10$002f1$002fizajole.10.issue-1.xml

Uma avaliação dos programas de educação pública remota dos estados e capitais brasileiros durante a pandemia do COVID-19

O fechamento de escolas foi uma das políticas públicas adotadas globalmente para a contenção da pandemia do COVID-19. Mesmo que o fechamento do ensino presencial seja uma política pública comprovadamente capaz de reduzir a transmissão do vírus, esta medida assume que aqueles que proveem educação irão implementar programas de educação à distância para continuar o aprendizado de seus estudantes. No caso brasileiro, devido à falta de controle efetivo da pandemia, escolas permaneceram fechadas por um período prolongado durante a maioria do ano letivo de 2020. Em países em desenvolvimento, como o Brasil, isso pode reforçar as desigualdades educacionais preexistentes, especialmente se o acesso a tecnologias de educação remota for limitado para populações vulneráveis. Nesse artigo, relatamos os resultados de um esforço inédito para coletar dados que nos permitem documentar os diferentes programas adotados pelo governo de estados e capitais estaduais para fornecer educação à distância durante a pandemia. Os indicadores produzidos informam sobre a duração, o escopo, e a cobertura de políticas públicas de educação remota a partir de indicadores quantitativos e índices. Nossa pesquisa revela que houve atrasos significativos na adoção desses programas tanto pelos estados quanto pelas capitais. Além disso, os programas foram desenhados com atenção insuficiente para a questão da garantia de acesso a tecnologias que permitiriam o aprendizado e supervisão de alunos de forma remota. Mostramos que estes programas estão correlacionados com antigas condições econômicas e educacionais e utilizamos evidências da pesquisa nacional de domicílios (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios - PNAD COVID19) para mostrar a relação entre os planos e os resultados educacionais. Concluímos que os responsáveis pelas políticas públicas e os educadores devem dirigir maior atenção aos desafios e problemas encontrados na implementação dos programas de educação à distância. A evidência disponível sugere que as políticas públicas devem ser desenhadas para endereçar as desigualdades preexistentes de acesso e provisão de educação para grupos vulneráveis.

A pobreza multidimensional no Brasil sob a ótica da PNAD Contínua 2017

Este trabalho tem como objetivo avaliar a incidência de pobreza no Brasil baseada em critérios observados nos domicílios, sintetizados em um indicador multidimensional de pobreza. A partir de metodologias análogas às utilizadas pela literatura se constrói um índice sintético de múltiplas insuficiências nos domicílios, que no agregado variam de zero a 100. Assim, são considerados pobres aqueles com indicador superior a 40, enquanto são classificados como extremamente pobres aqueles que pontuam acima de 60. Estima-se, portanto, uma taxa de incidência de pobreza multidimensional no Brasil de 17,3% em 2017, enquanto aqueles sob condição de extrema pobreza são 4,1% da população. Desagregações mostram que a população masculina, não-branca, residente em áreas rurais e periféricas é a que sofre maior incidência de pobreza multidimensional, assim como as regiões Norte e Nordeste são as mais afetadas.

Políticas Públicas em Evidência: Urna Eletrônica (Brasil)

A série "Políticas Públicas em Evidência" busca apresentar de forma descomplicada avaliações de Políticas Públicas e Programas Sociais ao redor do mundo. O estudo em questão apresenta os impactos da introdução das urnas eletrônicas para a contagem de votos eleitorais no Brasil.